O Mobile Marketing utilizando aplicativos vem crescendo bastante, mas ainda há o receio por parte de algumas empresas em investir na plataforma. Uma das alegações é o problema de termos uma grande diversidade de aparelhos.
De fato, temos diferentes plataformas no mercado e em várias vezes cada plataforma demanda um desenvolvimento próprio. O ponto é que essa fragmentação sempre vai ocorrer e não temos outro caminho a não ser lidar com isso. Não espere que surja uma plataforma única e universal antes de começar a investir no meio. Não foi assim com o Java, nem com o iPhone e não vai ser assim com nenhuma outra. Podemos inclusive comparar com os computadores em que até hoje há problemas de compatibilidade de software. O que ocorreu nos computadores ( a maioria dos serviços foi para as nuvens) deve acontecer também no celular. Mas assim como aconteceu com o pc, há ainda um bom tempo nesse processo, entre a melhoria dos browsers e a queda do preço de acesso a internet pelo celular. O “boom” dos aplicativos deve ser aproveitado.
O iPhone oferece uma experiência rica e aumenta as possibilidades de features em aplicativos, mas a plataforma Java pode atingir um número muito maior de usuários. Em pouco tempo especula-se que o Android vai ganhar bastante escala aqui e assim seguimos. Cada plataforma apresenta vantagens e desvantagens e vale a pena abraçar todo esse leque de opções.
A partir de um primeiro aplicativo, o custo para complementar com outras plataformas deve diminuir bastante, fazendo com que o ROI aumente. Se o problema for a monetização de aplicativos, já há diversas opções de pagamentos móveis que não necessariamente envolvem uma loja de aplicativos,
O fato é que há uma grande demanda iminente em mobile e quem estiver esperando que o problema da fragmentação se resolva antes de começar a agir, certamente perceberá muito tarde que ótimas oportunidades foram perdidas.
Esse post foi inspirado no texto In Mobile, Fragmentation is Forever. Deal With It.
A decisão recente da Apple em banir todos os aplicativos com conteúdo sensual acabou gerando uma grande polêmica, e não sem motivo. Mais de 5000 aplicativos foram banidos da noite para o dia, deixando diversos desenvolvedores e usuários frustrados.
Houve quem defendesse a empresa, que justificou sua atitude dizendo sempre ter levantado a bandeira da moral e dos bons costumes americanos. Foi alegado que diversos pais reclamavam de pornografia no aparelho, que tem grande penetração entre os jovens.
O fato é que o banimento desses aplicativos em nada impede os jovens de acessar a pornografia. Milhares de sites continuam disponíveis no navegador do iPhone, o Safari. Uma solução simples, prática e muito menos autoritária seria a implementação de um controle parental no aparelho. Isso permitiria que aqueles que têm interesse nesse tipo de conteúdo não fossem privados.
Outro destaque ficou para a clara falta de critério da Apple na ação. Embora mais de 5000 aplicativos tenham sido excluídos, alguns de conteúdo assumidamente sexual, como Your face in Penthouse e Playboy, continuaram disponíveis.
Um verdadeiro desrespeito com os desenvolvedores. Nós mesmo da Praesto já tivemos experiências não muito boas com a incoerência da Apple. Ao desenvolver o aplicativo Bella Club, o processo demorou 3 meses e tivemos que enviar o aplicativo 4 vezes para aprovação. O interessante era que fotos que eram aprovadas em um envio eram rejeitadas no envio seguinte. Por conta disso, foi despendido um certo esforço em revisar a versão diversas vezes, substituir fotos e enviar para aprovação. Com essa censura, mais esforço em vão. Inclusive com o próprio portal Bella da Semana protestando da decisão.
Com a criação da categoria “Explicit”, esperamos que a Apple consiga encontrar uma maneira de desfazer sua atitude e não jogue contra o ecossistema que é um dos maiores atrativos do iPhone: o ótimo conteúdo da App Store.
Update ( 26/02/2010 12:35h): A categoria Explicit foi excluída e permanecemos sem nenhuma perspectiva sobre as próximas ações da Apple.
Neste post de ontem, o David Hansson da 37Signals fez uma excelente crítica à Apple pelo processo de aprovação que os desenvolvedores são obrigados a passar para disponibilizar os seus aplicativos para os usuários na App Store.
Segundo ele, a “promessa” da Apple era garantir a qualidade dos aplicativos que estariam presentes na loja, e por isso era preciso estabelecer um filtro manual para avaliação de cada aplicativo. No entanto, o David argumenta que todo esse processo não garante que os aplicativos são estáveis, que estão livres de códigos maliciosos (malware) ou que apenas as ideias boas entram na loja. Pelo contrário, os aplicativos tendem em geral a ser mais “bugados”, pois os desenvolvedores não costumam fazer revisões tão frequentes, por causa de todo o trabalho necessário para o processo de aprovação.
De fato, o processo é um grande limitador e é até um retrocesso na forma de se lidar com desenvolvimento de software. No mundo da Internet convencional (para PCs), as aplicações Web tomaram o lugar da imensa maioria dos aplicativos instaláveis justamente pelas vantagens de desenvolvimento, distribuição e atualização constante. O lema “eterno Beta” que foi muito propagado na onda da Web 2.0 apresentava como grande vantagem a possibilidade de se colocar algo rapidamente no ar, coletar feedback dos usuários e ir consertando/melhorando o produto aos poucos. No caso dos aplicativos para iPhone, há uma barreira bastante grande para se aproveitar dos benefícios do release early, release often.
Aqui na Praesto já tivemos algumas experiências desagradáveis nesse processo de aprovação da App Store, algumas vezes até com avaliações incoerentes. E no caso dos aplicativos para mobile marketing, as agências e anunciantes também sofrem, pois não têm tanta facilidade para testar o aplicativo ao longo do desenvolvimento, além de não terem previsão sobre a data de lançamento do aplicativo, já que não se sabe previamente quando ele vai ser aprovado e disponibilizado na loja.
É inegável que a Apple criou uma revolução e melhorou muita coisa para usuários e desenvolvedores com o ecossistema de aplicativos do iPhone, mas isso não significa necessariamente que um sistema fechado seja melhor do que um aberto (mas com regras), como é o caso do Android por exemplo. Essa postura também abre brechas para políticas ainda mais restritivas - alinhadas à estratégia da empresa - como foi a decisão recente de banir os aplicativos que oferecem publicidade baseada em localização (mais detalhes aqui).
Para mais uma opinião sobre este debate dos sistemas abertos vs. fechados, também vale a pena ler esse artigo do investidor americano Fred Wilson publicado nesta semana.