Neste post de ontem, o David Hansson da 37Signals fez uma excelente crítica à Apple pelo processo de aprovação que os desenvolvedores são obrigados a passar para disponibilizar os seus aplicativos para os usuários na App Store.
Segundo ele, a “promessa” da Apple era garantir a qualidade dos aplicativos que estariam presentes na loja, e por isso era preciso estabelecer um filtro manual para avaliação de cada aplicativo. No entanto, o David argumenta que todo esse processo não garante que os aplicativos são estáveis, que estão livres de códigos maliciosos (malware) ou que apenas as ideias boas entram na loja. Pelo contrário, os aplicativos tendem em geral a ser mais “bugados”, pois os desenvolvedores não costumam fazer revisões tão frequentes, por causa de todo o trabalho necessário para o processo de aprovação.
De fato, o processo é um grande limitador e é até um retrocesso na forma de se lidar com desenvolvimento de software. No mundo da Internet convencional (para PCs), as aplicações Web tomaram o lugar da imensa maioria dos aplicativos instaláveis justamente pelas vantagens de desenvolvimento, distribuição e atualização constante. O lema “eterno Beta” que foi muito propagado na onda da Web 2.0 apresentava como grande vantagem a possibilidade de se colocar algo rapidamente no ar, coletar feedback dos usuários e ir consertando/melhorando o produto aos poucos. No caso dos aplicativos para iPhone, há uma barreira bastante grande para se aproveitar dos benefícios do release early, release often.
Aqui na Praesto já tivemos algumas experiências desagradáveis nesse processo de aprovação da App Store, algumas vezes até com avaliações incoerentes. E no caso dos aplicativos para mobile marketing, as agências e anunciantes também sofrem, pois não têm tanta facilidade para testar o aplicativo ao longo do desenvolvimento, além de não terem previsão sobre a data de lançamento do aplicativo, já que não se sabe previamente quando ele vai ser aprovado e disponibilizado na loja.
É inegável que a Apple criou uma revolução e melhorou muita coisa para usuários e desenvolvedores com o ecossistema de aplicativos do iPhone, mas isso não significa necessariamente que um sistema fechado seja melhor do que um aberto (mas com regras), como é o caso do Android por exemplo. Essa postura também abre brechas para políticas ainda mais restritivas - alinhadas à estratégia da empresa - como foi a decisão recente de banir os aplicativos que oferecem publicidade baseada em localização (mais detalhes aqui).
Para mais uma opinião sobre este debate dos sistemas abertos vs. fechados, também vale a pena ler esse artigo do investidor americano Fred Wilson publicado nesta semana.








