Como já citamos algumas vezes aqui, o ano de 2007 desencadeou uma série de debates sobre o crescimento da Internet no celular, especialmente pela expansão dos planos de dados flat-fee na Europa e EUA e principalmente pelo surgimento do iPhone, com sua promessa de fácil navegação e renderização de conteúdos da web.
Mike Rowehl, um dos criadores do já bem sucedido Admob, escreveu um excelente artigo sobre o que ele vê como a “Pirâmide de Maslow” da mobile web. Seu argumento principal é que, por mais que os aparelhos celulares evoluam na sua capacidade de interação com a rede, por um longo tempo ainda haverá uma mescla de serviços móveis de diferentes naturezas, ilustrados na figura abaixo. Vale a pena conferir as explicações e exemplos que ele dá para cada caso.

Aqui na Praesto discutimos bastante sobre os potenciais e barreiras da web móvel e sobre como podemos tentar contorná-los. No Brasil temos três problemas principais: custo do tráfego de dados (e a percepção do usuário quanto a este custo, que tende a ser pior do que realmente é), a dificuldade de utilização (especialmente pelo desconhecimento do usuário dos recursos do celular e suporte escasso das operadoras) e a inexistência (ou falta de conhecimento) de serviços que motivem os próprios usuários a ultrapassarem estas barreiras.
No caso específico de alguns serviços utilizados com muita frequência na Internet, acreditamos que os aplicativos embarcados podem ajudar muito nestas questões – pela facilidade do uso, maiores recursos e menor custo de tráfego. Um bom exemplo de serviço deste tipo é o Google Maps Mobile.
Torçamos para que em 2008 este tema seja bem mais movimentado – em discussões e boas experiências – aqui no Brasil.
O Sham Careem, diretor-geral da Momac UK, escreveu hoje um excelente artigo para a Mobile Marketing Magazine intitulado “Innovation, not Imitation”, onde debate com bastante propriedade a forma como as marcas (e operadoras) têm “escolhido” para criar a sua cara mobile. Ele aponta que, em geral, é feito uma pura e simples adaptação do conteúdo da Web, ou seja, uma versão mais pobre em termos de conteúdo e design para se ajustar às telas do aparelho, geralmente através de uma transformação automática. Isso resultaria em uma experiência final pobre para o usuário (que busca informação e interação imediata, e não browsing) e, consequentemente, maus resultados para a marca.
O que ele defende é que o projeto de qualquer mobile site seja desenhado a partir das características e possibilidades intrínsecas do usuário em movimento: imediato, ubíquo, pessoal e espontâneo.
O pequeno ponto que faltou na discussão é a noção de que o celular oferece muitas interfaces de consumo e produção de conteúdo que vão além de um mobile site WAP. Deve-se pensar, além dos fatores expostos, em qual a melhor maneira – tecnologicamente falando – de se interagir com o usuário para o case e público específico. São diversas as possibilidades de interface (ex. SMS, MMS, Aplicativos Java, Bluetooth, Wap sites, entre outros), que se adaptam de melhor ou pior forma para o objetivo de comunicação estabelecido. Para isto, além do domínio tecnológico, é importante entender também o perfil da base de usuários (renda, tipo de celulares, etc.) e os seus hábitos de consumo de serviços móveis para se produzir uma campanha ou serviço assertivo de mobilidade.
O Silvio Meira, cientista-chefe do CESAR no Recife, instituto/incubadora com diversas ações de referência em desenvolvimento de soluções de convergência digital, trouxe neste sábado para o seu blog no G1 uma discussão bastante polêmica no mundo da telefonia celular: a (não) abertura das operadoras e do seu modelo de negócios e como isso impacta na oferta de serviços de Internet para os usuários móveis.
Vale a pena conferir o post aqui:
http://www.silviomeira.globolog.com.br/index.html?postId=440383