A Folha de SP, em matéria veiculada ontem, afirma que através de levantamento feito com as operadoras brasileiras, o número de vendas oficiais do iPhone no Brasil não passou de 200.000 unidades até agosto deste ano. Como há um grande número de aparelhos que entraram no mercado de forma “não-oficial” (especialmente antes do lançamento formal dele por aqui), é difícil estimar o número real de iPhones em circulação no Brasil, mas segundo alguns outros indícios que temos visto, é plausível afirmar que esse número orbita em torno de 500.000 aparelhos, ou seja, ainda menos de 0,5% da base de usuários no Brasil.
Essa informação é muito relevante para o mobile marketing por um motivo simples: algumas marcas têm cometido o equívoco de pensar em atender apenas os usuários deste aparelho.
No início do ano escrevi sobre essa questão em um artigo para o Webinsider. Não há nada de errado em se aproveitar dos recursos diferenciados do iPhone e prover para o público um aplicativo bacana que forneça utilidade e/ou entretenimento, reforçando assim o conceito da marca e da campanha. A questão é que, na grande maioria das vezes, a mesma idéia e projeto do aplicativo iPhone poderia ter desdobramento para os outros aparelhos, seja através de aplicativos para outras plataformas ou até mesmo através de mobile sites. E o melhor, tudo isso com um custo marginal dado que o aplicativo iPhone já está sendo desenvolvido.
Para finalizar o post e reforçar essa necessidade de se pensar em ações multi-plataformas, é necessário rebater novamente o outro argumento que a matéria da Folha remete, referente aos distorcidos números da Predicta de que “63% dos acessos à rede via celular ocorrem atualmente via iPhone”. Essa discussão é antiga e já foi levantada em vários lugares (veja exemplos aqui e aqui). Nesta questão da Internet móvel, novamente há números diferentes em diversos levantamentos, mas é consenso que já temos mais de 15 milhões de usuários regulares de Internet móvel no Brasil, ou seja, há muito potencial para ações ricas envolvendo aplicativos e mobile sites para donos de outros aparelhos, mesmo que não sejam smartphones.
Em notícia recente, a Predicta afirma que nos últimos dois meses o número de acessos de usuários com iPhone aos portais que a empresa administra cresceu mais de 1% ao dia, chegando ao número de 330 mil acessos. Os números são impressionantes, especialmente considerando que o aparelho ainda não é vendido oficialmente no Brasil.
Segundo a nota, a Claudia Woods, diretora de estratégia e inteligência da Predicta, afirma que se os números continuarem evoluindo na mesma proporção, até o final do ano os acessos quebrarão a barreira do 1 milhão mensais, independentemente da chegada do iPhone da Claro.
O texto não comenta, mas seria bastante interessante saber qual a porcentagem dos acessos via iPhone provêm de conexão Wi-Fi e quanto via rede Edge, pois teríamos uma melhor noção sobre qual tipo de mobile web estamos falando.
A notícia completa pode ser conferida aqui.
Está causando bastante discussão uma nota veiculada na mídia, como nestas matérias do G1 e Baguete, sobre o uso da Internet pelo celular no Brasil. Os dados são da Predicta, que afirma que no mês de fevereiro foram registrados 212 mil acessos, e que quase metade destes acessos já são feitos pelo iPhone, mesmo o aparelho não sendo oficialmente comercializado no Brasil ainda.
No entanto, o que não fica claro em algumas destas matérias é que os dados refletem apenas os sites monitorados pela Predicta. Mais do que isso, contabilizam apenas o acesso à versão web dos sites via celular – onde é de se esperar que o iPhone predomine de fato, pela capacidade nativa de navegação.
Não são considerados os diversos serviços específicos para a mobile web (por exemplo, OGlobo.mobi, Valor Online, Vôos Mobile, mFut), os portais móveis das operadoras (que possuem milhões de acessos por mês), e os aplicativos (Opera Mini, mKut, U.Find, Yahoo Go!, etc.). Só no mKut já são mais de 250.000 acessos por mês.
A questão é que, da forma como foi noticiado, a matéria passa a impressão de que o número de acessos total ainda é muito baixo, e que apenas pessoas com celulares de última geração (e caros) acessam a Web pelo celular. Isto pode confundir a cabeça de agências, anunciantes, investidores, etc.
Para quem quiser acompanhar a discussão de uma forma mais aprofundada, vale ler os seguintes posts e seus comentários:
http://www.mobilepedia.com.br/prod/2008/03/12/cuidado-com-o-que-se-le-por-ai-confusao-predicta/
http://www.mobilepedia.com.br/prod/2008/03/12/contribuindo-para-confusao-predicta/
http://www.viuisso.com.br/2008/03/10/iphone-ja-representa-497-do-acesso-movel-a-internet-no-brasil/